quinta-feira, 22 de março de 2012

Atividade industrial da China desacelera em março

PEQUIM - A atividade industrial chinesa desacelerou em março pelo quinto mês consecutivo, de acordo com índice preliminar elaborado pelo HSBC, alimentando temores de que a perda de fôlego da segunda maior economia do mundo pode ser maior que a antecipada por analistas.
O indicador caiu para 48,1, o mais baixo patamar em quatro meses _números inferiores a 50 revelam contração da atividade industrial. Em fevereiro, o índice foi de 49,6.
"O impulso de crescimento pode desacelerar ainda mais em meio a uma combinação de fragilidade nos novos pedidos de exportação e enfraquecimento da demanda doméstica. Isso pode exigir medidas adicionais de relaxamento das autoridades de Pequim", escreveu o economista-chefe do HSBC para a China, Qu Hongbin.
A China enfrenta "riscos extremos" no front econômico, segundo o diretor de macroeconomia do Centro de Pesquisa em Desenvolvimento do Conselho de Estado, Yu Bin. Apesar disso, ele acredita que o país crescerá 8,5% neste ano, acima do piso de 7,5% fixado pelo primeiro-ministro Wen Jiabao no dia 5 de março, em seu discurso de abertura da reunião anual do Congresso Nacional do Povo.
Na avaliação de Yu, o país tem de lidar com uma combinação de encolhimento da demanda de curto prazo e queda de produtividade potencial no longo prazo. Em entrevista coletiva, o economista defendeu que a China tolere taxas de inflação de 4% a 5%, apesar de prever que o resultado deste ano ficará dentro da meta de 4% estabelecida pelo governo.
Todos os cinco elementos que compõem o indicador do HSBC registraram contração em março. O que mais influenciou o resultado total foi a queda em novos pedidos para 46,2, o que reforça a posição dos que possuem uma visão mais pessimista sobre a economia chinesa.
A segunda maior economia do mundo vem desacelerando desde o quarto trimestre de 2010, e chegou a um ritmo de expansão de 8,9% nos últimos três meses de 2011.
Nas declarações que deu durante a reunião anual do Congresso Nacional do Povo, Wen Jiabao indicou que o governo manterá as medidas de controle do setor de construção civil, que restringem a compra de mais de um imóvel pela mesma família e elevam o percentual do preço que deve ser pago à vista.
O setor desempenhou papel central no crescimento chinês nos últimos meses, mas a escalada de preços reforçou temores de que a bolha imobiliária estava cada vez mais inflada, apresentando riscos adicionais à gestão macroeconômica.
Além disso, os preços estratosféricos dos imóveis transformaram o sonho da casa própria em algo cada vez mais distante para os que se encontram nas faixas de renda inferiores da sociedade chinesa, alimentando o potencial de instabilidade social.
Com a crise financeira global e a necessidade de reestruturação do modelo de desenvolvimento chinês, está cada vez mais claro que o período de crescimento próximo de 10% registrado nos últimos 30 anos ficou para trás. Tudo indica que a expansão do país ficará a partir de agora mais próxima dos 8%.

Visão da notícia ( professor Quirino)
Em nossas aulas insistimos na ideia da China como termômetro da crise mundial, isso pelo fato dos mercados reagirem de acordo com as notícias vindas da segunda economia mundial. A ideia é simples, sendo a China um dos maiores compradores de commodities,  e derrepentemente ela apresenta desaceleração da sua indústria, é sinal que ela está comprando menos matéria prima, e isso é logico, mexe com investidores e principalmente com os países exportadores desses commodities, como é o caso do Brasil que exporta para os chineses minério de ferro e soja por exemplo. efeito cascata? talvez, mas o que temos que nos alertar é sobre os números que indicam desaceleração em alguns países que de uma forma ou de outra, tem relação com o nosso país. Que a crise está longe de ser superada por completa já é fato, o que temos que encontrar são maneiras de sofrermos menos os impactos dessa crise, uma vez que, sabemos ser o mundo atual, globalizado, sendo impossível existir crise isolada.

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