quarta-feira, 24 de agosto de 2016

RETROSPECTIVA PARA O CONCURSO PARA PROFESSOR DE CARIACICA



CRISE MIGRATÓRIA

RIO — O número de refugiados em todo o mundo ultrapassou 20 milhões de pessoas, de acordo com relatório divulgado nesta sexta-feira pela agência de refugiados da ONU, que adverte para “níveis assombrosos de sofrimento humano” em países em conflito. Segundo o documento, que reúne dados de janeiro a junho de 2015, mais de quatro mil pessoas foram forçadas a fugir de seus países por dia nesse período. E o número de pedidos de asilo saltou quase 80%. A guerra na Síria — que completa cinco anos em março do próximo ano — continua sendo o motivo do maior fluxo de novos refugiados e deslocados internos em massa.
Considerando outras populações de refugiados e de deslocados internos sob o mandato de outras agências humanitárias, as estatísticas indicam que o ano de 2015 ultrapassará a marca dos 60 milhões de pessoas forçadas a deixar seus locais de origem devido a guerras, conflitos e perseguições.
O relatório do Alto Comissariado da ONU para Refugiados revela crescimentos nas três principais categorias de deslocamento, que deverão bater recorde em 2015: refugiados, solicitantes de refúgio e deslocados internos (pessoas forçadas a fugir dentro de seus próprios países). Quase um milhão de pessoas cruzaram o mar Mediterrâneo como refugiados e imigrantes neste ano.
“O deslocamento forçado afeta profundamente a nossa realidade e as vidas de milhões de seres humanos, sejam aqueles forçados a fugir quanto os que oferecem abrigo e proteção”, alertou o Alto Comissário da ONU para Refugiados, António Guterres. “Nunca houve uma necessidade tão nítida de tolerância, compaixão e solidariedade para com as pessoas que perderam tudo”.
A população de refugiados no mundo, que há um ano totalizava 19,5 milhões pessoas, chegou a 20,2 milhões em meados de 2015. É a primeira vez, desde 1992, que a marca dos 20 milhões é ultrapassada. Os pedidos de asilo aumentaram cerca 78% (totalizando 993,6 mil casos) na comparação com o mesmo período do ano passado. E o número de pessoas deslocadas dentro de seus próprios países aumentou de cerca de 2 milhões, chegando a um total estimado de 34 milhões.
Os números de novos refugiados também cresceram de forma alarmante: cerca de 839 mil pessoas em apenas seis meses, o equivalente a uma taxa média de quase 4.600 pessoas forçadas a fugir dos seus países todos os dias.
A Turquia é o país que mais acolhe refugiados no mundo, somando 1,84 milhão em 30 de junho de 2015. O Líbano, por sua vez, acolhe mais refugiados em relação ao tamanho de sua população, com uma relação de 209 refugiados por mil habitantes. O total global de pessoas sob os cuidados do Acnur e de outras agências será divulgado em meados de 2016.










TERREMOTO NO NEPAL


RIO — O médico paulistano Luiz Perez, de 30 anos, tinha visitado o Nepal duas vezes antes do terremoto de 25 de abril, que devastou o país. Apaixonado pela pequena nação do Himalaia, Perez fez um apelo no Facebook convocando voluntários para prestar ajuda aos sobreviventes. Três dias depois, ele e mais quatro médicos estavam embarcando para a capital nepalesa, Katmandu. Em entrevista ao GLOBO, o médico relatou dias de intenso trabalho em condições precárias na vila de Timbu, a 30 km da capital. E disse se sentir mais vivo do que nunca: “Não é um sacrifício e não me sinto melhor que ninguém”.

O que o motivou a sair do conforto de seu lar para prestar assistência no Nepal?
Já tinha ido ao Nepal duas vezes. A primeira, em 2006, durante a guerra civil, e em 2011, com meu pai. Desgraças acontecem diariamente em todo canto do mundo, infelizmente. Minha motivação para largar a rotina em São Paulo era maior nesse caso pois tenho um carinho muito grande pelo país e pelos nepaleses.

Como surgiu a ideia de convocar uma equipe de médicos voluntários?
O terremoto ocorreu no sábado. No domingo à noite, liguei para minha amiga Laura Azevedo, também médica e muito experiente em atendimento em situações adversas. Além disso, escrevi um texto no Facebook pedindo colaboração. Na segunda-feira, recebi uma mensagem da amiga holandesa Jessica Villerius perguntando para onde ela deveria enviar os mais de 3 mil euros de doação que conseguira. Aquilo me emocionou, pois eram doações individuais de europeus, para que brasileiros pudessem atuar no Nepal. O mundo conspirava para o projeto se tornar real. Na terça-feira, já éramos 5 médicos, com o reforço de Maria Luiza Ramos, Karina Oliani e Lucas Rimi. Partimos na quarta-feira.
Vocês passaram por alguma dificuldade?
Muita gente acha nobre sair da zona de conforto para fazer algo assim. Eu tenho que confessar que comigo é o oposto. Meu sonho era trabalhar a vida inteira em projetos como esse, sem estar filiado a uma grande organização. Foram dias de bastante trabalho, poucos banhos e dormindo em barraca. Mas me sinto mais vivo do que nunca. Sou muito grato à oportunidade que me foi dada de estar lá, trabalhando da forma que mais gosto. Não é sacrifício nenhum e não me faz melhor do que ninguém. Temos muitos amigos que gostariam de estar lá com a gente, mas não conseguiram, em função de família ou trabalho. Falo isso em nome de toda a equipe. Acho que todos temos oportunidades na vida, as mais variadas, de fazer algo para os outros. Não é necessário ser médico nem atravessar o planeta para isso.
Quanto vocês arrecadaram na (confira aqui) e o que será feito com a verba?
Já conseguimos bater nossa meta mínima de R$ 28 mil e esperamos passar de R$ 50 mil. Todo dinheiro arrecadado será utilizado na reconstrução dos vilarejos que atendemos. Tivemos o privilégio de trabalhar com uma equipe multidisciplinar e muito séria. As pessoas precisam ter em mente que não estamos pensando somente em atendimento médico. A reconstrução do Nepal se fará em anos, e não em semanas. Os vilarejos que visitei estavam completamente destruídos. Todas as casas no chão. Estradas interditadas, pontes quebradas. É preciso lembrar também que a época das monções chegará mês que vem, provocando deslizamentos de terra e aumento das doenças infecciosas. O Nepal viverá um longo período de extrema dificuldade.
Você já tinha prestado ajuda semelhante em outros países?
É difícil atuar em outros países como médico, em função dos trâmites de validação de diploma. Exceções são feitas em casos de catástrofe, como esta do Nepal. Já participei duas vezes como médico do projeto Bandeira Científica, que leva médicos e alunos de medicina da Faculdade de Medicina da USP para regiões precárias. É um projeto interessante, que já acontece há muito tempo.
O que foi mais marcante para você no Nepal?
O que mais chama atenção é a serenidade do povo nepalês, a forma como eles lidam com situações adversas de maneira resiliente, com a cabeça erguida e extremamente generosos mesmo na total ausência de recursos. Devo voltar para lá durante as monções, numa viagem planejada com mais calma.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/mundo/eu-me-sinto-mais-vivo-do-que-nunca-diz-medico-brasileiro-que-foi-ao-nepal-ajudar-sobreviventes-16142506#ixzz4IHPA8UAn 
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ATAQUE AO JORNAL CHARLIE HEBDO:



PARIS — A França está em profundo estado de choque e em alerta máximo após o sangrento atentado terrorista que vitimou 12 pessoas e deixou 11 feridos — quatro deles gravemente — na manhã desta quarta-feira, na sede do jornal satírico “Charlie Hebdo”, próxima à Praça da Bastilha, no centro de Paris. Foi o ataque com o maior número de mortes no país em meio século — em 1961, uma bomba explodida pela Organização do Exército Secreto francês provocou 28 vítimas na linha de trem Estraburgo-Paris — e um grave golpe à liberdade de expressão na França. A vigilância contra ameaças terroristas foi elevada ao seu nível de maior segurança na capital e arredores.
Em reação ao terror, na noite desta quarta mais de cem mil pessoas participaram de uma centena de espontâneas e emotivas manifestações em cidades pela França, além de várias cidades pelo mundo. O presidente François Hollande decretou dia de luto nacional nesta quinta-feira, e solicitou um minuto de silêncio da população.
Por volta das 11h20m, dois dos três agressores envolvidos no atentado — mascarados, vestidos de preto e portando fuzis kalashnikov e coletes à prova de bala — desceram de um veículo Citroën C3, com vidros escuros, estacionado próximo ao número 10 da Rua Nicolas-Appert, sede do semanário. Os dois homens primeiro se dirigiram ao número 6, onde se situa a entrada dos arquivos do jornal, e bradaram “É aqui o Charlie Hebdo?”. Ao perceberem que se equivocaram de endereço, entraram no prédio correto e abriram fogo na recepção, matando uma pessoa. Em seguida, subiram ao segundo andar, e voltaram a descarregar seus fuzis na redação, executando oito cartunistas e jornalistas, um visitante e o policial que mantinha guarda permanente junto ao diretor do jornal após o incêndio criminoso ocorrido no local, em 2011. Após a chacina, os terroristas gritaram “Allahu Akbar!” (“Deus é grande!”) e “Vingamos o profeta Maomé, matamos o Charlie Hebdo!”. Na fuga, assassinaram mais um policial na rua.
Seu rastro foi perdido pelas autoridades, mas à noite o Ministério do Interior identificou três suspeitos — uma grande operação envolvendo grupos de elite da polícia ocorreu na cidade de Reims, no Nordeste da França. Segundo informações vazadas pela polícia, seriam três indivíduos, de 18, 32 e 34 anos. Os dois mais velhos seriam os irmãos franceses Saïd e Chérif Kouachi — Chérif foi julgado em 2005 por participar de um grupo de envio de jihadistas para combater no exterior. O mais jovem seria Hamyd Mourad.
Lista negra da al-Qaeda
Entre as vítimas estão quatro nomes históricos do “Charlie Hebdo”: Stéphane Charbonnier, o Charb (diretor); Jean Cabut, conhecido como Cabu; Bernard Verlhac, o Tignous; e Georges Wolinski. Os terroristas pareciam saber o dia e horário da reunião semanal, da qual participavam os principais profissionais do jornal. Segundo uma testemunha que sobreviveu ao se esconder atrás de uma mesa, os agressores falavam perfeitamente francês e se diziam representantes do grupo terrorista al-Qaeda, mas o atentado não foi oficialmente reivindicado.
Hollande convocou os líderes do Senado e da Assembleia para uma reunião esta manhã no Palácio do Eliseu, e ordenou o aumento da segurança em todos os locais com maior potencial de alvo de ataque terrorista. Nesta quarta, o efetivo policial foi reforçado diante das sedes do jornal “Libération” e do canal BFMTV, já ameaçados no passado. E o número de soldados em patrulha passou de 450 para 650 na capital. No local da tragédia, o presidente pediu união:
— É uma barbárie. Os atiradores serão perseguidos durante o tempo que for necessário para que sejam levados à Justiça. A França está em choque. É um ataque terrorista, não há dúvida. Temos que mostrar que somos um país unido.
Desde 2013, o diretor do jornal figurava numa lista negra da al-Qaeda, condenado à morte por crimes contra o Islã.
— Talvez seja pomposo dizê-lo, mas prefiro morrer de pé a viver de joelhos — disse ao “Le Monde” há dois anos.
Philippe Val, ex-diretor e amigo da maioria das vítimas, estava abalado.
— Perdi todos meus amigos — disse, às lágrimas, à rádio France Inter. — Temos de estar juntos contra este horror. Ele não pode impedir a liberdade, a expressão, a democracia. É o que está em jogo.
Líderes repetiram apelos à unidade nacional. O ex-presidente Nicolas Sarkozy, no comando do principal partido de oposição, declarou que “a democracia deve ser defendida sem fraquezas”:
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