quinta-feira, 29 de setembro de 2016

PM citado por menores em processo de estupro coletivo é afastado no PI

Um policial militar citado pelos três menores condenados pelo estupro coletivo em Castelo do Piauí foi afastado do 15º Batalhão e responderá a um procedimento administrativo na Corregedoria da PM. A informação foi dada nesta segunda-feira (10) ao G1 pelo comandante da Polícia Militar do Piauí, coronel Carlos Augusto, que irá investigar a possível influência do policial no caso.
De acordo com o promotor de Justiça Cesário de Oliveira, uma das teses levantadas pela defesa é de que o adolescente Gleison Vieira da Silva, espancado até a morte no Centro Educacional Masculino, teria participado sozinho do estupro coletivo e recebeu R$ 2,5 mil de um policial para acusar os outros menores.
"Estamos tomando as provindências cabíveis, pois não vamos esperar o término do processo sobre o estupro coletivo em Castelo para investigar esta denúncia. Recebemos uma documentação do defensor público Gerson Henrique Silva Sousa, no qual contém novos indícios de propagação da violência na região por parte do policial e sua influência no crime ocorrido em Castelo", disse o coronel.
Segundo o comandante, o oficial encontra-se em Teresina e deve se apresentar ainda nesta segunda-feira ao Comando Geral da Polícia Militar. Ele acrescentou que, se comprovada a denúncia, a Corregedoria da PM não vai aceita
Durante a audiência os três menores coautores do estupro alegaram que o Gleison recebeu o dinheiro de um policial para incriminar eles e esta pessoa conseguiria também um advogado para absolvê-lo. Já a mãe do adolescente morto contou que os quatro menores receberiam o pagamento para assumir autoria no crime", revelou Cesário.
Ainda conforme o promotor, a mãe de Gleison relatou o arrependimento do filho de ter assumido autoria no crime, porque não recebeu o pagamento. Para constatar a acusação, o próprio promotor ouviu o policial citado e os outros militares que participaram das prisões dos menores.
"Ao contrário do que foi apresentado pela defesa, o policial foi acompanhado de outros até a casa de Gleison e em nenhum momento é relatado o pagamento ao menor. Pela falta de inconsistência das provas, ele não foi colocado como testemunha do caso", falou o promotor.
O promotor de Justiça Cesário de Oliveira, responsável pelo caso do estupro coletivo ocorrido com quatro adolescentes em Castelo do Piauí, afirmou ao G1 que todas as teses apresentadas pela defesa são inconsistentes.
Vítima volta a estudar
Uma das três sobreviventes do estupro coletivo em Castelo do Piauí retornou às aulas na semana passada na Unidade Estadual Francisco Sales Martins. Após o crime, a menina passou dois meses sem frequantar a escola e foi recebida com flores e festa. De acordo com a direção da escola, a garota irá prestar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em outubro.
Lucineide Silva, diretora da escola, falou que as outras vítimas permanecem em Teresina, sendo que uma delas pediu transferência e vai estudar na capital. Uma das meninas, que sofreu traumatismo craniano, não retornará aos estudos este ano porque continua em tratamento médico.

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